APRON - Associação dos Pecuaristas de Rondônia
Pecuária de Rondônia precisa transformar escala em valor para ampliar competitividade

Pecuária de Rondônia precisa transformar escala em valor para ampliar competitividade

Com 16,3 milhões de bovinos declarados, setor busca avançar em gestão de custos, rastreabilidade, segurança jurídica e novas fontes de receita

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Pecuária de Rondônia precisa transformar escala em valor para ampliar competitividade
Com 16,3 milhões de bovinos declarados, setor busca avançar em gestão de custos, rastreabilidade, segurança jurídica e novas fontes de receita Rondônia consolidou uma das principais bases pecuárias do Brasil, mas o próximo avanço do setor dependerá menos do crescimento do rebanho e mais da capacidade de transformar produção em margem, acesso a mercados e poder de negociação para o produtor. A avaliação foi apresentada pelo diretor executivo da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON), Dhiony Costa e Silva, durante a palestra “Perspectivas da Pecuária: competitividade e desafios para o futuro”, realizada no dia 10 de setembro, no auditório da Embrapa Rondônia, em Porto Velho. A apresentação integrou o Seminário Pecuária de Cria, da Escola da Pecuária Sustentável, e discutiu as transformações econômicas, produtivas e comerciais que deverão influenciar a atividade até 2030. A análise foi estruturada em quatro etapas: escala, eficiência, comprovação e mercado. “O futuro da pecuária será decidido por quem consegue produzir mais, provar melhor e negociar com mais força”, afirmou Costa e Silva. Estado reúne escala produtiva Rondônia registrou 16,3 milhões de bovinos declarados em 2025, distribuídos por aproximadamente 110,5 mil propriedades rurais com rebanho. No mesmo período, foram abatidos cerca de 3,5 milhões de animais, estabelecendo novo recorde estadual, conforme os dados reunidos para a apresentação. O tamanho do rebanho, a capacidade de produção e a condição sanitária colocam o estado entre as principais bases da pecuária brasileira. Esses fatores, entretanto, já não são suficientes, isoladamente, para assegurar competitividade. Com mercados consumidores cada vez mais atentos à origem dos animais, às condições de produção e à regularidade socioambiental, o setor precisa ampliar sua capacidade de comprovar como, onde e em quais condições a carne foi produzida. Nesse cenário, rastreabilidade, documentação, gestão e segurança jurídica deixam de representar apenas exigências administrativas e passam a influenciar o acesso a mercados e o valor recebido pelo produtor. Custo de produção ganha peso nas decisões Um dos pontos centrais da análise foi a necessidade de mudar a forma como a rentabilidade da atividade é acompanhada. Além de observar a cotação da arroba, o pecuarista precisa conhecer o custo de produção de cada arroba e a margem que permanece depois das despesas com reposição, nutrição, sanidade, mão de obra, crédito e manutenção da propriedade. “Preço é referência. Custo é decisão”, sintetizou o diretor executivo. A gestão se torna ainda mais relevante diante da valorização dos animais de reposição e do custo do crédito. Comprar bezerros mais caros sem melhorar ganho de peso, lotação, giro e produtividade por hectare pode reduzir a margem, mesmo em períodos de valorização da arroba. A leitura apresentada no seminário é de que o ciclo pecuário atravessa uma fase de transição. A retenção de fêmeas tende a diminuir a disponibilidade de animais para abate no curto prazo e pode sustentar a valorização da reposição durante a recomposição do rebanho. Em uma etapa posterior, entretanto, o aumento do número de matrizes pode ampliar a produção de bezerros. O comportamento dos preços dependerá da intensidade desse movimento, da demanda por carne, dos custos de produção e da capacidade de absorção do mercado. Receita pode ir além da venda da arroba A apresentação também defendeu a discussão de novas formas de monetização dentro da pecuária. Além da venda convencional dos animais, o produtor pode buscar remuneração por atributos como qualidade, genética, origem comprovada, padronização dos lotes, certificações, dados produtivos e serviços ambientais. O avanço dessas estratégias depende da organização da cadeia e da criação de mecanismos capazes de reconhecer financeiramente os diferenciais entregues pelas propriedades. Também passa pela construção de iniciativas coletivas, protocolos de produção e marcas capazes de ampliar a escala comercial e o poder de negociação dos pecuaristas. “Quem só vende a arroba compete por preço. Quem entrega qualidade, prova e origem negocia na frente”, afirmou Costa e Silva. Essa transformação exige coordenação entre produtores, entidades representativas, indústria, instituições financeiras, empresas de tecnologia, órgãos públicos e centros de pesquisa. Competitividade até 2030 A perspectiva apresentada para os próximos anos indica que produzir mais continuará sendo importante, mas não será suficiente. O produtor mais preparado deverá combinar produtividade, controle de custos, regularidade da propriedade, informações confiáveis e capacidade de atender às exigências dos diferentes mercados. Nesse modelo, os dados gerados na fazenda deixam de servir apenas ao controle interno. Eles passam a apoiar decisões de compra e venda, acesso ao crédito, comprovação de origem, gestão de riscos e negociação com frigoríficos e outros compradores. “O produtor que vai liderar o futuro não será apenas o que tem mais gado. Será o que tem mais gestão, mais prova e mais capacidade de se posicionar”, declarou o diretor executivo. Rondônia já conquistou escala e capacidade produtiva. A próxima etapa será converter uma parcela maior dessa produção em margem, segurança e valor para quem está dentro da porteira. Sobre a APRON A APRON é a voz legítima da pecuária rondoniense. Representa, defende e fortalece os interesses de quem vive da atividade no estado. A entidade atua por meio de comissões temáticas dedicadas à regularização fundiária e ambiental, segurança rural, rastreabilidade bovina, crédito rural, leite e valorização da arroba. Integra a UNAPEC, União Nacional da Pecuária, e mantém atuação junto à FAPERON, à CNA e à Assembleia Legislativa na defesa da sustentabilidade e da competitividade da pecuária de Rondônia.